Uma revelação do Ser · Parte 4 · Fontes e notas
4.3
As escolhas que fiz
Traduzir textos espirituais é escolher, e toda escolha fecha portas. Estas são as que considero discutíveis:
- Distortion, no material de Ra, virou distorção. Preferi manter o estranhamento a suavizar para "desvio" ou "imperfeição". A palavra precisa soar como o que é: um ângulo, não um defeito.
- Social memory complex virou complexo de memória social, ao pé da letra. Nenhuma solução mais elegante preservava as três ideias que o termo carrega ao mesmo tempo.
- Excitement, em Bashar, virou entusiasmo. É a escolha mais discutível deste livro. A tradução corrente em português é "excitação", literal e amplamente usada no material brasileiro; preferi "entusiasmo" porque, em português, "excitação" arrasta um sentido de agitação nervosa e outro de estímulo sexual que o inglês não tem ali. Se você comparar com outras edições, vai encontrar "excitação" — e não estará diante de um erro, e sim de outra escolha.
- The Seer, nos Yoga Sutras, virou o Observador. "Vidente" seria mais literal e induziria ao erro, sugerindo alguém que vê o futuro em vez de alguém que simplesmente vê.
- Nirodha virou cessação. É o termo mais difícil do texto de Patanjali, e recebe, nas edições disponíveis, soluções que vão de "supressão" a "contenção" e "aquietamento". Nenhuma está errada.
Alguns termos eu decidi não traduzir, e explico no corpo do texto o que significam: Atma, Brahman, purusha, prakriti, avidya, klesha, kaivalya, samadhi, Soham. Traduzir cada um por uma palavra portuguesa daria a impressão falsa de que existe equivalência. Não existe. Preferi apresentá-los como o que são: conceitos de um sistema de pensamento que nunca precisou do português para se sustentar.
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